Novas Tarifas da China e México sobre Carne Brasileira: Entenda o Impacto e as Estratégias do Setor para 2026

Novas Tarifas da China e México sobre Carne Brasileira: Entenda o Impacto e as Estratégias do Setor para 2026

Exportações de carne bovina do Brasil enfrentam desafios com taxas alfandegárias, mas o setor aposta na diversificação de mercados e na escassez global para mitigar perdas.

O setor de carne bovina brasileiro, após um 2025 de recordes nas exportações, se depara em 2026 com um novo cenário desafiador: a imposição de taxas alfandegárias pela China e pelo México. A China, principal destino da carne bovina nacional, implementou uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas com tarifa de 12%, e um sobretaxa de 55% para volumes excedentes, elevando o custo a um patamar proibitivo de 67%. Já o México anunciou uma taxação de 20% para volumes de carne bovina que ultrapassarem 70 mil toneladas.

China: O Gigante Asiático e o Principal Comprador

A China representa quase metade das exportações brasileiras de carne bovina, tendo importado 1,68 milhão de toneladas em 2025. A nova política tarifária chinesa, motivada por medidas de salvaguarda para proteger produtores locais, impõe uma readequação significativa nos fluxos comerciais. O México, embora em menor escala (118 mil toneladas em 2025), também figura como um mercado importante que terá seu volume impactado.

Estratégias de Mitigação e Diversificação de Mercados

Diante desse cenário, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sinalizam a necessidade de ajustes em toda a cadeia produtiva. No entanto, o Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, minimizou o impacto, destacando a abertura de 20 novos mercados para a carne bovina brasileira nos últimos três anos, incluindo o Vietnã. A estratégia inclui negociações bilaterais e no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para mitigar os efeitos da medida chinesa, além da possibilidade de transferir cotas de outros países exportadores.

Oportunidades em Novos Mercados e a Escassez Global

A expectativa do governo e do setor produtivo se volta para a abertura de novos mercados, como Japão e Coreia do Sul, impulsionada pelo reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O Japão, terceiro maior importador mundial, atualmente é abastecido majoritariamente por Estados Unidos e Austrália. A escassez global de proteína bovina é vista como um fator crucial para amortecer os impactos das novas tarifas. Economistas do Itaú BBA projetam uma contração de cerca de 2% na produção brasileira em 2026, um volume que não supriria a necessidade de realocação caso as exportações para a China se mantivessem no patamar de 2025.

Perspectivas Otimistas e Crescimento Qualificado

Apesar dos desafios, o setor vislumbra otimismo. A possibilidade de abastecer o mercado doméstico de países concorrentes como a Argentina, liberando a produção destes para a China, e o aumento das exportações para os Estados Unidos, devido a um déficit projetado de 1,3 milhão de toneladas, são fatores positivos. O presidente da Abiec, Roberto Perosa, projeta estabilidade nas exportações para 2026, com foco em um crescimento mais qualificado, previsível, competitivo e com maior valor agregado, sempre atento às dinâmicas geopolíticas e à abertura de mercados estratégicos como Japão, Coreia do Sul e Turquia.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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