Selic pode cair até 3 pontos percentuais este ano, mas fiscal é o principal risco, aponta BTG Pactual
Cenário otimista para corte de juros depende de política fiscal e estabilidade cambial
O Banco Central (BC) pode promover cortes totais de até 3 pontos percentuais na taxa básica de juros (Selic) ao longo deste ano. Essa projeção, no entanto, está atrelada a condições específicas, como a manutenção de uma política fiscal responsável e a ausência de choques cambiais extremos. Segundo Eduardo Loyo, sócio do BTG Pactual, a continuidade dos cortes dependerá de um cenário eleitoral tranquilo e sem grandes impactos no mercado.
As próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) serão cruciais para definir o ritmo da redução da Selic. A expectativa é que os primeiros 100 pontos-base sejam cortados em breve, dando tempo para que o mercado e o próprio BC avaliem o cenário de incertezas.
Alerta fiscal: gastos públicos sobem e juros seguem altos
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, destacou a preocupação com o aumento expressivo das despesas públicas nos últimos anos. Segundo ele, o crescimento do gasto público federal nos últimos oito anos foi de 9%, com uma projeção de alta de 20% para o período de quatro anos deste governo. Esse aumento é apontado como um dos principais motivos para as elevadas taxas de juros no Brasil, que atualmente ostenta a maior do mundo.
Almeida ressaltou que o país deve fechar o ano com um déficit nominal médio de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um patamar considerado elevado em comparação internacional. Ele relativizou a melhora recente da inflação, atribuindo-a principalmente à taxa de juros elevada e à desvalorização do dólar, e não a avanços em reformas internas.
Perspectivas de crescimento limitadas sem ajuste fiscal
O economista alertou que as perspectivas de crescimento para o Brasil são desafiadoras. Os fundamentos da economia não são favoráveis, e a capacidade de repetir o desempenho pós-pandemia é limitada. Com o desemprego em 5,1% e o crescimento da força de trabalho em 0,8% ao ano, o potencial de crescimento do PIB é estimado em no máximo 1,5%. Sem um ajuste fiscal focado no controle de despesas, o cenário se agrava, com risco de aumento da dívida pública e restrição na capacidade de reduzir juros.
Juros nos EUA: cenário mais complexo que no Brasil
Em relação à política monetária internacional, Loyo defendeu uma postura mais cautelosa do Federal Reserve (Fed) dos EUA. Ele argumenta que o Fed deveria priorizar a consolidação da desinflação, mesmo correndo o risco de a inflação ficar temporariamente abaixo da meta de 2%. Diferentemente do Brasil, as condições para cortes de juros nos Estados Unidos são consideradas mais desfavoráveis, apesar do desejo generalizado por essa redução.
Fonte: www.seudinheiro.com



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