Tether pode superar Bitcoin e Ethereum em valor de mercado em meio a aversão ao risco, aponta analista
Fuga para a Segurança Impulsiona Dominância da Tether
A recente turbulência no mercado de criptomoedas tem levado a um cenário inesperado no topo do ranking de capitalização. Enquanto ativos de risco como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) sofrem correções acentuadas, a Tether (USDT), a maior stablecoin do mundo, tem expandido sua dominância. Mike McGlone, estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, prevê que é uma questão de tempo até que a Tether ultrapasse o Bitcoin e o Ethereum em valor total de mercado, caso as tendências de aversão ao risco se mantenham. Esse movimento é explicado como uma clássica “fuga para a segurança” (flight to safety), onde investidores vendem ativos voláteis diante de um cenário macroeconômico global deteriorado, pressionado por juros altos e incertezas na política monetária dos EUA, buscando refúgio em stablecoins pareadas ao dólar.
Demanda Crescente por Dólar Digital
A dinâmica de “fuga para a segurança” foi acelerada por dados econômicos recentes que assustaram o mercado. McGlone destaca que a tendência mais duradoura no mercado cripto atual é a Tether “superando tudo” (flippening). Enquanto os preços dos ativos digitais despencam, a demanda por liquidez em dólar digital não para de crescer. O setor de stablecoins já soma mais de US$ 307 bilhões, um aumento de quase 50% desde o início de 2025, segundo dados compilados pelo DefiLlama. Essa ascensão da Tether reflete uma busca por estabilidade em meio à volatilidade generalizada.
Níveis Técnicos e o Cenário Extremo para o Flippening
A previsão de McGlone, embora audaciosa, baseia-se em uma matemática de extremos. Atualmente, o Bitcoin possui um valor de mercado na casa dos trilhões, enquanto a Tether segue em terceiro lugar. Para que o flippening ocorra, seria necessário um crescimento exponencial da emissão de USDT ou, mais drasticamente, uma desvalorização massiva das líderes. O analista sugere que o Bitcoin precisaria recuar para suportes significativamente inferiores aos atuais, citando um cenário hipotético de US$ 10.000 (cerca de R$ 57.000), para que seu valor de mercado se equiparasse ao da stablecoin. No cenário atual, a pressão vendedora contínua, evidenciada pelas saídas recordes de ETFs de Bitcoin e Ethereum, drena a capitalização desses ativos. Simultaneamente, o Ethereum luta para manter suportes críticos, e a perda desses níveis poderia acelerar a aproximação do USDT no ranking. Investidores devem monitorar a capitalização do USDT: se ela continuar subindo enquanto o BTC perde o patamar de US$ 1 trilhão, a tese de McGlone ganha força.
Implicações para o Investidor Brasileiro
Para o investidor no Brasil, o crescimento da Tether sinaliza um momento de cautela máxima no mercado. O aumento da dominância do USDT geralmente indica que o “dinheiro inteligente” está saindo do risco e aguardando melhores oportunidades, o que pode significar que a volatilidade continuará alta para quem está exposto a altcoins. Além disso, a consolidação do Tether reforça seu papel como infraestrutura essencial, indo muito além do trading, com crescente adoção para pagamentos e remessas internacionais. O brasileiro deve encarar o USDT não como investimento de valorização, mas como ferramenta de proteção cambial (hedge) contra a desvalorização do Real frente ao Dólar. No entanto, é vital lembrar que stablecoins também possuem riscos de contraparte. Diversificar custódia e monitorar as reservas da emissora é essencial.
Fonte: www.criptofacil.com



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