Maioria dos Brasileiros Reprova Restrições ao Saque-Aniversário do FGTS, Aponta Pesquisa
Trabalhadores Rejeitam Mudanças na Antecipação do Saque-Aniversário
Uma pesquisa nacional realizada pela AtlasIntel e encomendada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e pela Zetta demonstra uma forte oposição da maioria dos trabalhadores brasileiros às recentes restrições impostas ao mecanismo de antecipação do saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O levantamento aponta que 90% dos trabalhadores que já utilizaram a modalidade são contrários às novas medidas.
O saque-aniversário permite que o trabalhador retire anualmente uma parte do saldo de suas contas do FGTS no mês de seu aniversário. A antecipação, por sua vez, funciona como uma linha de crédito que adianta até cinco anos desses saques. Essa opção é valorizada por oferecer juros menores em comparação a outras formas de crédito e por não comprometer a renda mensal do trabalhador.
Novas Regras e Impacto no Acesso ao Crédito
As novas diretrizes, em vigor desde novembro de 2025, estabelecem que o trabalhador que adere ao saque-aniversário deve aguardar um período de carência de 90 dias para realizar a primeira antecipação, um contraste com a possibilidade de acesso imediato anterior. Além disso, o número de saques-aniversários que podem ser antecipados anualmente foi limitado a cinco, com um valor mínimo de R$ 100 e máximo de R$ 500 por parcela após o período de vigência inicial.
Segundo a pesquisa, que ouviu 4.243 pessoas em novembro de 2025, 70% da população ciente do mecanismo considera as mudanças prejudiciais. Eduardo Lopes, presidente da Zetta, destacou em nota que a antecipação do saque-aniversário é uma ferramenta financeira essencial, especialmente em momentos de urgência, e que as restrições limitam o acesso a uma alternativa de crédito importante.
Uso Emergencial e Percepção Negativa dos Trabalhadores
Os dados da AtlasIntel indicam que o recurso antecipado do FGTS é predominantemente utilizado para fins emergenciais. As principais finalidades apontadas pelos usuários incluem o pagamento de dívidas urgentes (69,6%), despesas médicas e medicamentos (28,1%) e a compra de alimentos e itens essenciais (7,1%). Nenhum dos entrevistados relatou o uso do dinheiro para apostas online.
Alex Gonçalves, diretor de Crédito Consignado da ABBC, ressaltou que as restrições não refletem a realidade financeira da população, retirando uma opção de crédito acessível e empurrando os trabalhadores para alternativas com juros mais altos. Ele defendeu a preservação da autonomia do cidadão sobre seus recursos, dada a destinação majoritária para necessidades básicas.
Planejamento Financeiro e Limites Questionados
A pesquisa também revelou que cerca de 80% dos usuários da modalidade acreditam que a limitação de uma operação por ano prejudica o planejamento financeiro, discordando da ideia de que a medida incentive o controle de gastos. Outros 84% desaprovam o limite máximo de R$ 500 por parcela, considerando que ele não impede o uso considerado “desnecessário” do saldo.
Mais da metade dos brasileiros (51,3%) que já anteciparam o valor veem negativamente a obrigatoriedade de esperar três meses de carência para contratar a antecipação, argumentando que isso retira a agilidade necessária em casos de emergência. Quanto à frequência de uso, 35,6% já utilizaram a antecipação de 1 a 2 vezes, 22,5% de 3 a 4 vezes, e 29,7% de 5 a 10 vezes, com 9,3% utilizando mais de 10 vezes.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br



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