Haddad revela ‘disputa de narrativas’ e questiona demora em apuração de fraudes no Banco Master
Conflito de versões e pressentimento de crise
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatou uma “disputa de narrativas” que antecedeu a intervenção do Banco Central (BC) no Banco Master. Segundo ele, enquanto alguns especialistas alertavam para a insustentabilidade das operações do banco, com promessas de rendimentos muito acima do mercado, outros defendiam o dono da instituição, Daniel Vorcaro, como um “gênio” e atribuíam as críticas ao incômodo dos grandes bancos.
Haddad mencionou que a oferta de CDBs com retorno de 140% do CDI, enquanto o mercado pagava pouco mais de 100%, era um forte indício de irregularidades. A investigação aponta para a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro real.
Ministro sabia, mas não podia falar
O ministro admitiu ter conhecimento prévio da liquidação extrajudicial do Banco Master e da operação que levou à prisão de Daniel Vorcaro. No entanto, ele explicou que não podia tornar o assunto público para evitar que suas declarações fossem usadas pelo banco para anular a decisão do BC, caracterizando como “razões funcionais” a sua discrição.
Questionamentos sobre a lentidão das investigações
Fernando Haddad expressou surpresa com a demora nas investigações sobre as supostas fraudes. Ele questionou por que os indícios de irregularidades nas operações do banco, que cresceu significativamente nos seis anos anteriores à sua liquidação, não foram identificados e apurados antes. “Nos seis anos em que o banco cresceu, ninguém entendeu o que estava acontecendo? Essa é uma pergunta que está em todo canto”, declarou.
Contexto da liquidação e proposta de aumento do FGC
O Banco Master foi liquidado pelo BC no mesmo dia em que seu dono, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente. A instituição oferecia investimentos com retornos muito superiores aos praticados pelo mercado, o que levantou suspeitas. Paralelamente, o senador Ciro Nogueira apresentou em 2024 uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para aumentar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, visando ampliar a segurança dos investidores.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br



Publicar comentário