Ouro: Compras de Bancos Centrais Diminuem, Mas Geopolítica Mantém Metal como Refúgio em 2026

Desaceleração nas Compras Oficiais

As aquisições de ouro por bancos centrais ao redor do mundo apresentaram uma desaceleração no início do ano. Essa redução é atribuída principalmente à volatilidade observada nos preços do metal precioso. No entanto, a escalada de tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio, continua a reforçar o papel do ouro como um ativo estratégico para a acumulação de reservas.

China Mantém Tradição de Acumulação

Um dos principais indicadores do mercado, o Banco Central da China, demonstrou continuidade em sua política de aquisição de ouro. Em fevereiro, o país asiático expandiu suas reservas do metal, marcando o 16º mês consecutivo de compras. O volume detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy, elevando o total para 74,22 milhões de onças, segundo dados divulgados recentemente. Essa sequência de compras iniciada em novembro de 2024 sinaliza uma estratégia de diversificação de suas reservas internacionais.

Volatilidade e Estratégias de Investidores

O comportamento recente do ouro reflete uma dinâmica complexa no mercado. Por um lado, investidores têm aproveitado momentos de alta volatilidade para realizar lucros, vendendo o metal para levantar capital e investir em títulos públicos considerados mais seguros. Essa estratégia de “fazer caixa” se torna mais atraente quando o ouro atinge patamares recordes. Por outro lado, após recuos pontuais, o ouro voltou a superar a marca de US$ 5 mil por onça, impulsionado pela busca clássica por ativos que funcionam como reserva de valor e diversificação de portfólio.

Perspectivas para 2026

Apesar da menor intensidade nas compras líquidas globais, que somaram apenas cinco toneladas em janeiro – uma queda significativa em relação à média mensal de 27 toneladas nos 12 meses anteriores, segundo o World Gold Council –, as perspectivas para o ouro em 2026 permanecem positivas. Analistas apontam que as tensões geopolíticas, que não dão sinais de arrefecer, tendem a sustentar a demanda por ouro como ativo de refúgio. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, comentou Marissa Salim, analista do World Gold Council. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Fonte: investnews.com.br

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