Carlos Kawall: Câmbio é o Principal Vilão da Inflação no Brasil, Superando o Choque do Petróleo
Cenário Inflacionário Antes do Conflito
Antes da intensificação do conflito no Oriente Médio, o cenário para a inflação no Brasil era considerado desafiador, mas com perspectivas benignas para fechar o ano abaixo de 4%, possivelmente mais próximo de 3,5%. Carlos Kawall, diretor da Oriz Partners e ex-secretário do Tesouro Nacional, aponta que as principais preocupações eram o mercado de trabalho aquecido e a inflação de serviços. No entanto, fatores como um dólar mais fraco, inflação de alimentos controlada e expectativas positivas para combustíveis criavam um ambiente favorável.
Impacto do Choque de Petróleo e o Papel do Câmbio
A escalada do preço do petróleo acima de US$ 100 reacendeu o debate sobre a inflação e a trajetória de cortes na taxa Selic. Kawall, contudo, minimiza o impacto direto do petróleo, destacando que a produção global já possui um excesso de oferta. O ponto crucial, segundo ele, é o comportamento do câmbio. Um dólar mais forte encarece produtos importados e insumos essenciais, pressionando a inflação ao consumidor. No entanto, o Brasil, como exportador líquido de petróleo, tende a se beneficiar de um câmbio mais apreciado em cenários de alta do barril, o que pode mitigar os efeitos inflacionários.
Política Monetária e Perspectivas para a Selic
Kawall defende que um choque de oferta, como o do petróleo, não deve ser o principal motor para a política monetária. A preocupação reside na disseminação desses efeitos para o câmbio. Ele acredita que o Banco Central pode iniciar o ciclo de cortes na Selic com 0,50 ponto percentual na próxima reunião, projetando a taxa terminal em 12,25% ao ano. A cautela da Petrobras em repassar integralmente a alta do petróleo, somada à política em ano eleitoral, também contribui para a visão de que a inflação pode permanecer sob controle. A valorização do real, observada em 2022 durante a guerra na Ucrânia, é um precedente para a resiliência da moeda brasileira.
Inflação Abaixo de 4% e Espaço para Cortes de Juros
Apesar das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, Carlos Kawall mantém a projeção de que a inflação ao consumidor (IPCA) feche o ano abaixo de 4%. Essa perspectiva, aliada à expectativa de um câmbio comportado, sustenta a visão de que o Banco Central tem espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros. A resiliência do real e a política da Petrobras em ano eleitoral são fatores determinantes para que o cenário inflacionário permaneça favorável, permitindo a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.
Fonte: investnews.com.br



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