Hapvida Coloca Operação no Sul à Venda e Muda Diretoria em Meio a Pressão da Squadra Investimentos
Venda Estratégica e Mudança na Liderança
Em um movimento significativo, a Hapvida, líder em número de beneficiários no Brasil, anunciou a venda de sua operação na região Sul. A decisão, que envolve ativos adquiridos da Clinipam e do Centro Clínico Gaúcho, além de hospitais próprios, ocorre em um momento de intensa pressão por parte da gestora Squadra Investimentos e de uma desvalorização expressiva das ações da companhia. Para conduzir o processo de venda, a empresa contratou o BTG Pactual.
Paralelamente à decisão de desinvestimento, a Hapvida também comunicou uma mudança em sua alta administração. Jorge Pinheiro, que esteve à frente da diretoria-presidente por 27 anos, deixará o cargo. Seu sucessor será Luccas Adib, atual vice-presidente de finanças, relações com investidores e tecnologia. Pinheiro permanecerá no conselho de administração.
A Pressão da Squadra Investimentos
A Squadra Investimentos, que detém 6,98% das ações da Hapvida, tem sido uma voz crítica contundente em relação à gestão da empresa. Em carta pública enviada em abril, a gestora classificou a trajetória da Hapvida desde seu IPO em 2018 como uma das maiores destruições de valor do mercado de capitais brasileiro, com uma queda acumulada de 85% no valor das ações no período, contrastando com a alta de 120% do Ibovespa.
A fusão com a NotreDame Intermédica, anunciada em 2021, foi apontada pela Squadra como um fator de destruição de cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado. A gestora também criticou a perda de beneficiários, o aumento da alavancagem, a remuneração considerada excessiva da administração e a não alocação de perdas sobre ágio. A venda da operação Sul era uma das recomendações explícitas da Squadra para reduzir a alavancagem, reequilibrar o capital e permitir a retomada de dividendos.
Conselho em Disputa e Fortalecimento do Controle Familiar
A pressão da Squadra também se estendeu à composição do conselho de administração. A gestora indicou três nomes para disputar assentos: Eduardo Parente, Tania Sztamfater Chocolat e Bruno Magalhães e Silva. A Hapvida, em resposta, reapresentou o boletim de voto da assembleia de acionistas, incluindo os nomes indicados pela Squadra, atendendo a um pedido por voto múltiplo.
Enquanto isso, a família Pinheiro, fundadora e controladora da Hapvida, aumentou sua participação acionária de 41,5% para 51,3%, adquirindo 47 milhões de ações. Essa manobra visa consolidar o controle formal da companhia e, segundo fontes, conter a desvalorização dos papéis, afastando especulações sobre o fechamento de capital.
Detalhes da Operação à Venda
Os ativos colocados à venda na região Sul incluem uma estrutura que demandou um investimento aproximado de R$ 4 bilhões. Essa operação compreende oito hospitais, 21 clínicas e uma carteira de 490 mil beneficiários. Caso fosse segregada, essa unidade se configuraria como a nona maior operadora de saúde do Brasil e a segunda maior na região Sul. A decisão de vender esses ativos já estava em discussão interna antes mesmo da carta pública da Squadra, mas a pressão da gestora certamente acelerou o processo.
Fonte: investnews.com.br



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