Fim da Escala 6×1: Setor Agro pode enfrentar choque de custos de até 9,6% e impactar preços de alimentos
Impacto Estrutural no Campo
A proposta de emenda à Constituição (PEC) 8/2025, que visa o fim da escala de trabalho 6×1, está gerando preocupação em diversos setores da economia brasileira. Para o agronegócio, a mudança representa um potencial choque de custos estrutural, com estudos apontando para um aumento imediato de até 9,6% no custo da hora trabalhada, sem ganho proporcional de produtividade. Diferentemente de setores urbanos, o campo opera sob ciclos biológicos e climáticos que demandam atenção contínua, tornando a adaptação a uma jornada reduzida mais complexa e custosa.
Custos Bilionários e Risco de Inflação
Levantamentos indicam que o fim da escala 6×1 poderia gerar um impacto financeiro expressivo. Na produção de etanol, o aumento de custo estimado varia entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. Para os setores de proteína suína e avícola, o prejuízo potencial pode chegar a R$ 9 bilhões, e cooperativas agroindustriais poderiam ter um acréscimo de R$ 2,5 bilhões. Essas elevações de custo tendem a ser repassadas ao consumidor final, pressionando a inflação de alimentos em uma conta que pode chegar a cifras bilionárias.
Readequação de 97% dos Vínculos Formais
Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, enquanto o impacto em outros setores pode ser considerado baixo, no campo, 96,6% dos vínculos formais seriam diretamente afetados. Isso representa mais de 1,5 milhão de trabalhadores que necessitariam ter suas escalas readequadas. As consequências apontadas incluem o fechamento de cerca de 28 mil vagas na agropecuária em curto prazo. Estudos preliminares do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) também sinalizam que a agropecuária, a construção e o comércio teriam um custo adicional significativamente maior que a média geral da economia.
Impactos Regionais e Setoriais Específicos
As projeções variam de acordo com a especialização de cada região. No Paraná, o agronegócio estadual estima um custo adicional de R$ 4,1 bilhões por ano, demandando a contratação de 107 mil novos trabalhadores para manter a produção. A avicultura e a suinocultura seriam as mais afetadas. Em Minas Gerais, o custo da mão de obra na pecuária leiteira pode subir até 80%, impactando pequenos produtores. Já em Mato Grosso, maior produtor de grãos, seriam necessárias mais de 34 mil contratações, com projeções de aumento de até 24% nos preços de produtos no varejo.
Debate sobre Produtividade e Sustentabilidade
Entidades do setor agro assinaram um manifesto contra a PEC, argumentando que em países onde a redução da jornada de trabalho ocorreu com sucesso, houve um processo histórico atrelado a ganhos de produtividade. A preocupação é que a mudança, sem esse equilíbrio, resulte em aumento de custos, redução de contratações formais e repasse de preços. Especialistas alertam que a legislação atual pode não contemplar as particularidades de cada atividade rural, que muitas vezes exigem flexibilidade e continuidade de operações.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br



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