Dólar em Queda: Banco Inter Reduz Projeção para 2026 e Analisa Impactos de Juros e Inflação

Dólar perde força em meio a tensões globais

O mercado financeiro iniciou a semana com o dólar em queda, influenciado por tensões geopolíticas e a ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana registrou recuo, fechando em R$ 4,9821, com mínima de R$ 4,9642. Esse cenário de dólar mais fraco levou o Banco Inter a revisar suas projeções para o câmbio em 2026, de R$ 5,40 para R$ 5,10. Segundo os economistas do banco, a mudança reflete o enfraquecimento global do dólar e a melhora nos termos de troca da balança comercial brasileira, além do impacto positivo do petróleo em níveis elevados para países exportadores como o Brasil.

Pressão inflacionária e o dilema dos juros

Enquanto o dólar se enfraquece, o conflito no Oriente Médio eleva a pressão inflacionária e restringe o espaço para cortes de juros. O Banco Inter elevou sua projeção para o IPCA em 2026, de 4,3% para 4,9%. O choque de oferta causado pela alta do petróleo, superior a 50%, impactou a inflação, com leituras surpreendentes em março e expectativas de aceleração em abril. Embora um recuo no preço do petróleo possa aliviar os preços no segundo semestre, a incerteza externa e a inflação mais alta em 2026 tendem a limitar cortes adicionais na taxa Selic no curto prazo.

Decisões de Bancos Centrais no Radar

A semana é marcada por decisões importantes de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, a expectativa é de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50%, na quarta-feira (29). Mesmo com a inflação pressionada, o Banco Central deve manter o ritmo gradual de afrouxamento, com a taxa básica projetada para encerrar 2026 em 12,75%. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, com possíveis cortes apenas no segundo semestre.

PIB, Balança Comercial e Riscos Fiscais

O Banco Inter manteve a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 1,8%, impulsionado pelo agronegócio e pela indústria extrativa no primeiro trimestre. Contudo, a tendência é de desaceleração do consumo das famílias ao longo do ano. Em contrapartida, a balança comercial deve ganhar força em 2026, com superávit projetado acima de US$ 80 bilhões. No entanto, o risco fiscal permanece como ponto de atenção, com incertezas sobre a ampliação de estímulos ao consumo em ano eleitoral e projeções de aumento do déficit primário e nominal, elevando o custo da dívida.

Fonte: www.seudinheiro.com

Publicar comentário