Correios Anuncia Plano de Reestruturação Massivo: Empréstimo de R$ 12 Bilhões, PDV e Fechamento de Agências para Salvar a Empresa

Correios Anuncia Plano de Reestruturação Massivo: Empréstimo de R$ 12 Bilhões, PDV e Fechamento de Agências para Salvar a Empresa

Com 12 trimestres seguidos de prejuízo, estatal detalha medidas drásticas que incluem corte de 15 mil funcionários, venda de imóveis e revisão do plano de saúde para evitar colapso financeiro até 2026.

Em uma tentativa de reverter um cenário financeiro crítico, os Correios apresentaram nesta segunda-feira (29) um ambicioso plano de reestruturação. A estratégia, que visa estancar os prejuízos acumulados por 12 trimestres consecutivos, combina captação de crédito robusta, otimização de gastos com pessoal, alienação de ativos e uma significativa redução na malha de atendimento.

Empréstimo Bilionário como Âncora Financeira

A pedra angular do plano é a obtenção de um empréstimo de R$ 12 bilhões, considerado vital para aliviar a pressão de caixa e viabilizar as operações de reorganização. O financiamento, publicado no Diário Oficial da União, foi fechado com um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa e Bradesco (com R$ 3 bilhões cada), além de Itaú e Santander (com R$ 1,5 bilhão cada). A maior parte do montante, R$ 10 bilhões, deve ingressar nos cofres da empresa até quarta-feira (31), com o restante previsto para janeiro de 2026. O acordo, com garantia da União, tem validade até 2040 e inclui um período de carência de três anos, com pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.

Cortes de Pessoal e Redução da Rede de Atendimento

No que tange à redução de despesas, os Correios planejam um corte anual de R$ 2,1 bilhões em gastos com pessoal através de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa é que até 15 mil funcionários deixem a empresa em dois anos, o que representa 18% da folha de pagamento. Paralelamente, a estatal pretende fechar cerca de mil agências consideradas deficitárias, de um total de aproximadamente 5 mil unidades em todo o país. A venda de imóveis não operacionais também está na mira, com o objetivo de levantar R$ 1,5 bilhão em caixa extraordinário e reduzir custos de manutenção.

Revisão do Plano de Saúde e Impacto do “Remessa Conforme”

Outro ponto sensível do plano é a reformulação do Postal Saúde, o plano de saúde dos funcionários, que apresenta um alto custo. A expectativa é reduzir essas despesas em cerca de R$ 500 milhões anuais. O Postal Saúde tem enfrentado dificuldades financeiras, com risco à continuidade operacional apontado em suas demonstrações de 2024. No lado das receitas, os Correios têm sofrido com a concorrência acirrada e mudanças regulatórias, como a implementação do programa Remessa Conforme. Essa medida, que instituiu imposto de importação sobre compras internacionais, abriu espaço para a distribuição de encomendas por empresas privadas, impactando a exclusividade operacional dos Correios. A receita da estatal em 2024 foi de R$ 18,9 bilhões, inferior aos anos anteriores.

Perspectivas de Recuperação e Investimentos Futuros

Apesar do foco imediato em ajuste fiscal e estabilização, os Correios projetam uma recuperação para R$ 21 bilhões em receita até 2027, impulsionada por novas estratégias comerciais e operacionais. Entre 2027 e 2030, a empresa planeja investir R$ 4,4 bilhões em automação, modernização da frota e infraestrutura de TI, com recursos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). O objetivo é alcançar a saúde financeira em 2026 e voltar a registrar lucro de forma sustentável a partir de 2027. Sem esses ajustes, o presidente Emmanoel Rondon alertou que o prejuízo pode chegar a R$ 23 bilhões em 2026.

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