Trump Lança Conselho da Paz com Ambições Globais, Mas Enfrenta Ceticismo de Aliados e Dúvidas sobre Objetivos
Nova Organização e Plano para Gaza
O ex-presidente Donald Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz, um organismo que, segundo ele, visa promover a paz mundial. A iniciativa também sinaliza o desejo de Trump de avançar para a segunda fase de seu plano de paz para Gaza, apesar da recusa do Hamas em entregar suas armas. Trump apresentou a fase inicial do acordo como um sucesso e reafirmou o compromisso dos EUA com a reconstrução de Gaza, mas condicionou o progresso à devolução dos restos mortais do último refém falecido durante o ataque de 2023 a Israel.
Em seu discurso de lançamento, Trump exaltou a economia americana e atribuiu a si a interrupção de pelo menos oito guerras, incluindo conflitos que não evoluíram para hostilidades abertas ou cujas animosidades ainda persistem. Ele também reiterou sua intenção de investir US$ 1,5 trilhão em defesa e elogiou aliados da OTAN por aumentarem seus gastos, enquanto criticou a Espanha por não atingir esse patamar.
Controvérsias e Escopo Ampliado
Apesar do otimismo declarado por Trump, o Conselho da Paz teve um início marcado por incertezas quanto aos seus objetivos, composição e o nível de controle que o ex-presidente exerceria. Parceiros importantes dos EUA, incluindo grandes economias do G7, mantiveram-se à margem, relutantes em apoiar a iniciativa plenamente, mas também cautelosos em desagradar Trump, que vê o projeto como parte de seu legado.
Inicialmente concebido para auxiliar na reconstrução de Gaza, o escopo do conselho parece ter se expandido. Uma minuta da carta da organização, vista pela Bloomberg, sugeria uma missão mais ampla de “garantir a paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”. Essa visão expansiva gerou preocupação entre parceiros americanos, temerosos de que o conselho pudesse competir ou até mesmo minar a atuação da ONU. A administração Trump tentou assegurar que o conselho seria complementar, e não substituto, da organização global.
Membros Convidados e Recusas Notáveis
A minuta também previa que os países contribuíssem com pelo menos US$ 1 bilhão para ter um assento permanente e concederia a Trump o poder de decisão final como “presidente inaugural”, com a possibilidade de manter o cargo mesmo após o fim de sua presidência. A composição do conselho também gerou desconforto, com convites enviados ao presidente russo Vladimir Putin e ao líder bielorrusso Alexander Lukashenko, em meio a críticas pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
Cerca de 60 líderes foram convidados, mas nenhum país da África Subsaariana figura entre os convocados. França, Reino Unido, Suécia, Holanda, Alemanha e Canadá estão entre os países que, até o momento, recusaram o convite. Após a recusa do presidente francês Emmanuel Macron, Trump chegou a ameaçar o país com tarifas de 200% sobre champanhe. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, mostrou-se aberto a participar “em princípio”, mas ressaltou que o foco deveria ser nas necessidades de Gaza. O líder britânico, Keir Starmer, declinou endossar o conselho e afirmou que coordenaria a resposta com aliados.
Histórico e Críticas à ONU
Trump justificou a criação do conselho afirmando que a ONU falhou em auxiliar na resolução de conflitos globais. Embora o Conselho de Segurança da ONU tenha inicialmente apoiado o plano de Trump para Gaza, o escopo mais amplo do novo conselho surpreendeu a organização. Um porta-voz da ONU declarou que o Conselho de Segurança havia autorizado o Conselho da Paz apenas para seu trabalho em Gaza.
Desde o início, o plano enfrentou divergências. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que aceitou um lugar no conselho, questionou a inclusão de representantes do Catar e da Turquia em um painel subsidiário, devido às relações desses países com o Hamas.
Fonte: investnews.com.br



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