Mercado Secundário de Debêntures Supera R$ 1 Trilhão e Ultrapassa Capitais ‘Zero Km’ com Forte Aporte de Pessoa Física

Mercado Secundário de Debêntures Atinge Volume Recorde

O mercado secundário de debêntures, onde investidores negociam títulos já existentes antes de seu vencimento, alcançou um volume impressionante de R$ 947,4 bilhões em 2025. Este valor supera em 13% a captação total realizada pelas empresas através do mercado primário de capitais, que somou R$ 838,8 bilhões. O mercado primário engloba novas emissões de ações, debêntures, notas comerciais, FIIs, CRIs, CRAs, entre outros instrumentos financeiros.

Crescimento Acelerado e Atração do Investidor Pessoa Física

O mercado secundário de debêntures tem apresentado um crescimento exponencial. Em 2023, o volume negociado foi de R$ 444 bilhões, saltando para R$ 707 bilhões em 2024 (avanço de 59%) e atingindo quase R$ 1 trilhão em 2025 (aumento de 34%). Esse aquecimento é atribuído, em grande parte, à entrada de investidores pessoa física, atraídos pela remuneração superior oferecida pelas debêntures em comparação com títulos públicos e pela isenção de Imposto de Renda em debêntures incentivadas.

Debêntures Incentivadas: O Destaque da Rentabilidade e Isenção

As debêntures incentivadas, que financiam projetos de infraestrutura, têm se destacado pela isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Essa vantagem fiscal, combinada com taxas de retorno atrativas – como IPCA+10% ao ano, significativamente superiores aos títulos do Tesouro (IPCA+7%) –, tem impulsionado a demanda. Embora representem um risco maior que os títulos públicos, a maior liquidez proporcionada pelo mercado secundário torna o investimento mais atraente, permitindo a venda do título antes do vencimento.

Fatores que Impulsionaram o Mercado Secundário

O cenário macroeconômico e decisões políticas recentes também contribuíram para o boom do mercado secundário. Uma Medida Provisória (MP) que ameaçou acabar com a isenção fiscal de diversos produtos financeiros, incluindo debêntures incentivadas, gerou uma corrida por esses ativos antes da mudança. Embora a MP tenha sido derrubada, a incerteza contribuiu para o aumento do interesse. Adicionalmente, a reforma do Imposto de Renda, que passou a tributar lucros e dividendos acima de R$ 600 mil anuais para pessoas físicas, incentivou a migração de recursos para instrumentos isentos, como as debêntures incentivadas. As emissões de debêntures incentivadas em 2025 atingiram o maior patamar histórico, com R$ 178 bilhões, um crescimento de 31,7% em relação a 2024.

Fonte: investnews.com.br

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