Crise no Banco Master: Daniel Vorcaro defende modelo de negócios e aponta ‘pressão dos grandes bancos’ como causa do colapso
Versão de Daniel Vorcaro: Liquidez, não Fraude
Em seu depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, refutou a acusação de fraude bancária estimada em R$ 12 bilhões. Segundo ele, o colapso da instituição foi resultado de uma crise de liquidez, e não de desvios intencionais. Vorcaro argumenta que o modelo de negócios do Banco Master, desde 2018, era baseado na dependência do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), estratégia que, segundo ele, sempre foi comunicada e aprovada pelo Banco Central.
A crise teria se agravado com mudanças nas regras do FGC, que, de acordo com Vorcaro, ocorreram por “pressão dos grandes bancos”. Essas alterações teriam restringido a capacidade de captação de recursos do Master, sufocando a instituição. “Essa crise de liquidez foi criada por duas coisas, por mudança de regulação com a pressão dos grandes bancos, que mudaram por duas vezes a regra do FGC”, declarou Vorcaro.
O Foco da Investigação: Operações com o BRB
A investigação da Polícia Federal concentra-se em operações de venda de créditos entre o Banco Master e o BRB. As autoridades suspeitam que o Master tenha repassado ao BRB carteiras de crédito sem lastro ou com inconsistências graves, gerando prejuízos significativos para o banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Vorcaro, no entanto, nega veementemente a natureza fraudulenta dessas transações, afirmando que ocorreram dentro dos parâmetros técnicos e regulatórios.
A Venda do Master ao BRB: Recomendações e Rejeição
Vorcaro também tentou caracterizar a venda do Banco Master ao BRB como uma solução técnica recomendada pela própria fiscalização do Banco Central. Ele afirmou que a Diretoria de Fiscalização do BC teria indicado a venda ao banco estatal como uma medida adequada para o sistema financeiro. Contudo, o Banco Central contesta essa versão, com o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, negando qualquer recomendação de compra de carteiras de crédito e afirmando que a própria fiscalização identificou as inconsistências.
Impacto no FGC e Pressão sobre o BRB
A crise do Banco Master já representa um custo significativo para o FGC. Até o momento, o fundo desembolsou R$ 26 bilhões para indenizar credores, com uma estimativa de custo final de R$ 40,6 bilhões. A liquidação do will bank, integrado ao conglomerado Master, deve adicionar outros R$ 6,3 bilhões. Somados, os resgates podem consumir cerca de um terço dos recursos disponíveis do fundo.
O BRB, por sua vez, encontra-se sob forte pressão. O banco público negocia uma linha de crédito emergencial com o FGC e foi obrigado pelo Banco Central a provisionar R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas potenciais com as operações ligadas ao Master. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem adotado um discurso de contenção de danos, assegurando que o banco “não vai quebrar”.
Fonte: www.seudinheiro.com



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