Acordo Mercosul-UE: Micro e Pequenas Empresas Brasileiras Vislumbram Expansão em Cafés, Frutas e Cachaça
Acordo Mercosul-UE: Micro e Pequenas Empresas Brasileiras Vislumbram Expansão em Cafés, Frutas e Cachaça
Análise do Sebrae aponta oportunidades históricas de exportação com a redução de barreiras tarifárias e burocráticas, prevendo injeção bilionária no PIB nacional.
O recente acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, formalizado em 17 de julho, representa um marco histórico para a economia brasileira, com um potencial significativo de ampliação de mercados para micro e pequenas empresas (MPMEs) em setores estratégicos. Uma análise detalhada do Sebrae sobre o texto do tratado indica uma projeção de aumento no volume de exportações e na receita para segmentos como café beneficiado, frutas, cachaça, carnes de aves e suínos, mel e madeira processada.
Café Beneficiado e Carnes: Novos Horizontes de Exportação
No segmento de café, as tarifas de exportação para a Europa, que atualmente variam entre 7,5% e 11,5%, serão zeradas em até quatro anos. O Sebrae estima que o quilo do café beneficiado (torrado e solúvel) possa gerar até 165% mais receita em comparação com o grão cru. Para as carnes de aves e suínos, o acordo prevê uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero, a ser implementada gradualmente nos próximos sete anos. Essa medida pode impulsionar as exportações em até 19,7% até 2040, com um crescimento produtivo estimado de 9,2%. No setor de carne bovina, uma cota de 99 mil toneladas com tarifa de 7,5% também é prevista, representando uma redução significativa em relação às alíquotas atuais, que podem chegar a 31%.
Frutas e Cachaça: Competitividade e Proteção de Marca
O setor de frutas, com a eliminação imediata de tarifas para uvas e maçãs e a redução gradual para limões em até sete anos, ganhará maior competitividade frente a países como Chile e Peru, que já possuem isenção no mercado europeu. A cachaça, produto tipicamente brasileiro, também se beneficia. A alíquota de 8% será reduzida progressivamente até zerar para garrafas de até 2 litros, além de uma cota de 2.400 toneladas com tarifa zero para exportações a granel. Mais importante, o fluxo para a Europa deve consolidar a cachaça como denominação exclusiva do Brasil, protegendo sua marca contra o uso indevido por produtores estrangeiros.
Indicações Geográficas e Madeira Processada: Valorização e Acesso a Insumos
O acordo é visto como uma oportunidade para alavancar produtos brasileiros com Indicações Geográficas (IGs), como o queijo da Canastra, o mel de melato de Bracatinga e diversos cafés regionais. O Sebrae reforçará seu trabalho de apoio ao registro dessas IGs, que agregam valor e autenticidade aos produtos. Para produtores de artigos em madeira processada, como móveis, o acordo facilita o acesso a maquinário e insumos a preços mais competitivos, além de prever um aumento no volume exportado.
Sebrae Oferece Soluções para Novos Mercados
Diante do novo cenário, o Sebrae já dispõe de soluções e planeja ações direcionadas para qualificar os pequenos negócios. Entre elas estão o suporte na obtenção de novas IGs, a qualificação técnica em biosseguridade, certificações exigidas pela União Europeia, marketing internacional, design, sustentabilidade, certificação orgânica e o fortalecimento do Selo Arte. O objetivo é preparar os empreendedores brasileiros para aproveitar ao máximo o potencial deste vasto mercado consumidor, que soma mais de 700 milhões de pessoas.
Fonte: agenciasebrae.com.br



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