CEO do Bradesco (BBDC4) rebate críticas e defende estratégia de crescimento: ‘Mostramos o contrário’
O Bradesco em Transformação: De Desafios à Recuperação
O CEO do Bradesco, Octavio Noronha, reagiu com firmeza às críticas sobre o desempenho recente do banco, afirmando que a instituição provou sua capacidade de crescimento apesar das previsões pessimistas. “Dois anos atrás diziam que não tínhamos mais como crescer, mas mostramos o contrário”, declarou Noronha em entrevista exclusiva. A declaração surge em um momento de reestruturação profunda no banco, que enfrentou desafios como alta inadimplência, concorrência de bancos digitais e uma estrutura interna considerada pesada e pouco ágil.
Após uma fase de maior exposição a crédito de menor renda e critérios de concessão mais flexíveis, o Bradesco viu sua inadimplência disparar e sua rentabilidade cair, o que gerou questionamentos no mercado sobre seu modelo de negócios. Noronha assumiu o comando em novembro de 2023, com a missão de liderar um plano de transformação de cinco anos lançado em fevereiro de 2024. O plano, apelidado de “step by step”, visa modernizar a tecnologia, reduzir custos, otimizar a estrutura e recuperar a qualidade da carteira e a rentabilidade.
Metas Ambiciosas e Eficiência em Foco
O plano “step by step” tem se concentrado na contratação de executivos externos, revisão de incentivos internos e reorganização de áreas estratégicas, com investimentos significativos em tecnologia. Uma das metas centrais é reduzir o índice de eficiência para 40% até 2028, um avanço considerável em relação aos atuais 50%. Para isso, cerca de 2,8 mil agências foram fechadas ou remodeladas, visando enxugar a estrutura física e acelerar a digitalização.
Apesar dos progressos, o debate sobre o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) do Bradesco persiste entre analistas, com questionamentos sobre a capacidade do banco de atingir patamares de 17% a 20%. Noronha, no entanto, defende que o banco não busca atalhos, como o aumento da exposição a ativos de maior risco, que poderia inflar a margem no curto prazo, mas comprometer a solidez no futuro. “Estamos com muito cuidado com a inadimplência. Se fôssemos para ativos de maior risco, a margem cresceria mais rápido, mas poderíamos devolver o resultado em dois trimestres. Hoje buscamos um portfólio sólido”, explicou.
Investimento em IA e Digitalização: O Futuro do Bradesco
Noronha rebate a ideia de que o banco deveria reduzir investimentos para acelerar a eficiência, argumentando que a modernização de sistemas legados e a incorporação de inteligência artificial (IA) são prioridades estratégicas para garantir a competitividade futura. Ele destacou que nenhum grande banco parou de investir em tecnologia e IA, e o Bradesco não será exceção. “Precisamos mudar sistemas legados e continuar investindo. Nenhum banco grande, nem no Brasil nem nos EUA, parou de rodar com mainframe ainda. Olhe para os norte-americanos, todos estão investindo em crescimento e AI. Eu não vou parar”, afirmou.
No varejo digital, o banco já atende 19 milhões de clientes remotamente, com a meta de dobrar esse número até o fim de 2026. A ferramenta de IA generativa “Bia Cliente” já resolve cerca de 90% das demandas no primeiro contato, reduzindo significativamente o custo de atendimento. O custo de servir um cliente no digital é até 40 vezes mais barato do que no atendimento humano em agências, um fator crucial para atender clientes de menor renda de forma rentável.
Novos Vetores de Crescimento: Alta Renda e PMEs
A estratégia de crescimento do Bradesco agora se volta para os segmentos de alta renda e pequenas e médias empresas (PMEs). No segmento Prime (renda a partir de R$ 25 mil), o banco já conta com 3,7 milhões de clientes, e no Principal (R$ 8 mil a R$ 25 mil), são 320 mil clientes. Nos últimos dois anos, 3,1 milhões de clientes foram promovidos para esses segmentos, sem registrar downgrades.
Para as PMEs, o Bradesco viu sua participação de mercado em ativos saltar de 14,3% para 16,6%, com a carteira do segmento expandindo de 19,1% para 23,9% do total. A abertura de 150 agências empresas e o reforço de soluções como a Global Solution, voltada para gestão de caixa em múltiplas moedas, demonstram o foco em aumentar a centralidade das empresas no banco.
Otimismo Cauteloso e Próximos Passos
Em relação ao cenário macroeconômico, Noronha expressou um “otimismo cauteloso”, reconhecendo a possibilidade de volatilidade devido às eleições em 2026, mas destacando o equilíbrio do Brasil com baixo desemprego e salários em alta. Ele ressaltou que a qualidade da carteira do Bradesco, com menor exposição a crédito pessoal sem garantia e postura seletiva no cartão de crédito, o torna mais protegido contra instabilidades.
Olhando para o futuro, o Bradesco prepara novos movimentos em crédito consignado privado e financiamento de veículos, após renovar suas plataformas de contratação para ganhar velocidade e eficiência. O foco principal é o crescimento orgânico, mas o banco não descarta oportunidades de aquisição, como o caso do Banco John Deere. “Fique de olho na nossa capacidade de competir no consignado privado e em veículos (leve e pesado), onde renovamos nossa esteira de contratação para ganhar eficiência e competitividade”, concluiu Noronha.
Fonte: www.seudinheiro.com



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