Família Batista Reorganiza J&F: Holding Busca Acesso ao Mercado Internacional de Dívida com Nova Estrutura e Governança

Nova Estrutura e Gestão Centralizada

A família Batista está promovendo uma significativa reorganização em sua holding, a J&F, com o objetivo de aprimorar o acesso aos mercados internacionais de dívida e otimizar a gestão de capital. A empresa, que agora removeu o termo “Investimentos” de seu nome, integrou formalmente seus negócios de celulose (Eldorado Brasil), mineração (LHG Mining) e bens de consumo (Flora) sob a estrutura da holding. Essa centralização visa conferir maior agilidade e eficiência na administração financeira do conglomerado.

Aguinaldo Ramos Filho, CEO da J&F e sobrinho de Joesley e Wesley Batista, explicou que, embora as operações de cada negócio permaneçam independentes, a gestão financeira será concentrada na holding. “A J&F é um grupo familiar com operações globais e estratégicas, receita em moeda forte e um portfólio de projetos de longo prazo”, afirmou Ramos Filho à Bloomberg. A Âmbar Energia já havia sido incorporada à estrutura no ano anterior. A JBS, gigante do setor de carnes listada nos EUA, continuará operando de forma autônoma, com a J&F mantendo aproximadamente 50% de suas ações.

Governança Reforçada e Conselho Estratégico

A nova governança da J&F prevê a formação de um conselho de administração com sete membros. Incluindo o fundador José Batista Sobrinho e seus filhos Wesley e Joesley Batista, com este último presidindo o colegiado. As quatro cadeiras restantes serão preenchidas por conselheiros independentes de renome, como o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A holding também estabelecerá um conselho fiscal e um comitê de auditoria independente, reforçando os mecanismos de controle e transparência.

Aguinaldo Ramos Filho segue como CEO, e Fernando Storchi, ex-presidente da Eldorado, assumirá a diretoria financeira. O conglomerado registrou uma receita expressiva de R$ 490 bilhões nos doze meses encerrados no terceiro trimestre de 2025. Essa estratégia de centralização se diferencia de outras holdings brasileiras, como Cosan e Simpar, que optam por manter subsidiárias com ações negociadas em bolsa. A J&F, por sua vez, busca preservar o controle acionário de seus negócios, indicando que qualquer futura oferta pública inicial (IPO) seria da própria holding, e não de unidades individuais.

Objetivos no Mercado de Dívida e Perspectivas de Crédito

A reestruturação já foi apresentada às principais agências de classificação de risco. A S&P Global Ratings e a Fitch atribuíram à J&F a nota BB+ com perspectiva estável, enquanto a Moody’s a classificou como Ba1, também com perspectiva estável. Essas avaliações posicionam a holding um degrau abaixo do grau de investimento da JBS. Para melhorar ainda mais seu perfil de crédito, a J&F pretende padronizar a apresentação de seus resultados e aumentar a transparência em suas divulgações, preparando-se para possíveis janelas de emissão de dívida.

“A empresa deseja alongar os prazos de vencimento da dívida e avaliará as melhores opções de emissão”, declarou Ramos Filho, confirmando o interesse em acessar tanto o mercado de dívida brasileiro quanto o internacional. Embora a JBS opere separadamente, seu sólido grau de investimento, escala operacional e histórico com investidores servem como um importante referencial para o perfil de crédito da holding. O grupo não busca aquisições específicas no momento, mas visa estar preparado para capitalizar sobre grandes oportunidades que possam surgir.

Fonte: investnews.com.br

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