Gerdau (GGBR4): Por que o Itaú BBA retirou o selo de compra e qual o trunfo ‘fora das contas’ que pode destravar valor?

Gerdau (GGBR4): Por que o Itaú BBA retirou o selo de compra e qual o trunfo ‘fora das contas’ que pode destravar valor?

Apesar de um cenário desafiador no Brasil e incertezas na América do Norte, o banco aponta um potencial catalisador para as ações da siderúrgica que pode surpreender o mercado.

O Itaú BBA decidiu remover a recomendação de compra para as ações da Gerdau (GGBR4), citando a pressão sobre a rentabilidade da empresa devido à concorrência acirrada de produtos importados e ao aumento de capacidade de dois concorrentes locais. Os resultados do quarto trimestre de 2025 e as projeções para o primeiro trimestre de 2026 reforçaram essa visão, indicando um ambiente de margens comprimidas, volumes e mix mais fracos, além de custos elevados.

Cenário desafiador no Brasil e suporte na América do Norte

Mesmo com possíveis reajustes pontuais de preços, o banco avalia que o curto prazo no Brasil é de desgaste, não de recuperação. No entanto, o projeto Miguel Burnier, com previsão de economia de cerca de R$ 400 milhões a partir do segundo semestre de 2026, deve ajudar a sustentar a margem Ebitda da divisão brasileira próxima de 10% no ano.

A América do Norte continua sendo o principal pilar dos resultados da Gerdau. A combinação de sazonalidade favorável e preços mais altos do aço deve impulsionar os spreads no primeiro trimestre de 2026, com margens Ebitda superiores a 23% na região. Esse desempenho robusto nos Estados Unidos compensou a revisão para baixo no Brasil, mantendo a projeção de Ebitda consolidado estável.

Incertezas e um potencial catalisador para GGBR4

Apesar do otimismo regional, o Itaú BBA alerta para incertezas na revisão do USMCA, que podem impactar os preços do aço nos EUA, e para uma parada programada de 40 a 50 dias na unidade de Midlothian no segundo semestre de 2026 para expansão.

O grande trunfo apontado pelo banco, e que pode funcionar como um catalisador para as ações GGBR4, é uma eventual listagem das operações da Gerdau nos Estados Unidos. Pelos cálculos do Itaú BBA, o múltiplo implícito de valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) das operações norte-americanas está entre 4,0 e 4,5 vezes, significativamente abaixo da média de concorrentes americanas como Nucor e Steel Dynamics (cerca de 50% a 55% menor). Uma listagem poderia atrair um novo público de investidores e reduzir esse desconto.

Outras fontes de valorização fora do balanço tradicional

Uma outra possível fonte de geração de valor, ainda não precificada pelo mercado, seria a venda de ativos florestais não essenciais. A Gerdau possui aproximadamente 220 mil hectares de terras, e a venda de 50 mil hectares produtivos poderia levantar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, segundo estimativas do banco. Este montante representa um potencial de valorização que não está refletido nas contas atuais dos analistas.

Fonte: www.seudinheiro.com

Publicar comentário