Ligga Telecom: R$ 350 Milhões em Caixa Destinados a Aplicações Sem Liquidez Ligados ao Banco Master em Investigação da PF

Operação Policial e Rebaixamento de Rating

A Ligga Telecom, operadora de fibra óptica controlada pelo empresário Nelson Tanure, está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) e sob escrutínio de agências de classificação de risco. A empresa retirou aproximadamente R$ 350 milhões de seu caixa para aplicações financeiras de baixa liquidez, levantando preocupações sobre a saúde financeira da companhia e sua conexão com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado.

A Moody’s, agência de classificação de risco, rebaixou o rating da Ligga de BBB.br para BB-.br com perspectiva negativa em dezembro de 2025. O motivo apontado foi a “opacidade de informação” nos demonstrativos financeiros da operadora, indicando um perfil de liquidez sob intensa pressão e um “risco elevado de refinanciamento”.

Detalhes das Aplicações Financeiras

De acordo com o último demonstrativo financeiro da Ligga, consolidado em setembro de 2025, o caixa da empresa somava R$ 2,3 milhões em conta corrente e R$ 16,9 milhões em CDBs com liquidez diária. Em contrapartida, R$ 388,6 milhões estavam alocados em “aplicações financeiras”, com baixo grau de visibilidade sobre sua disponibilidade imediata.

Documentos internos da operadora revelam que parte significativa desse capital foi aplicada em cédulas de crédito bancário (CCBs) do Banco Master. Essa movimentação financeira ocorreu em um período em que a diretoria da Ligga deliberou sobre a contratação dessas CCBs, sem que o assunto passasse pelo Conselho de Administração.

Investigação da PF sobre o Banco Master e Nelson Tanure

A Polícia Federal investiga se estruturas de fundos geridos ou influenciados por Nelson Tanure foram utilizadas para capitalizar o Banco Master ou para absorver créditos de difícil recuperação, dissimulando a real saúde financeira da instituição. Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes contábeis e financeiras envolvendo o Banco Master.

Uma linha de investigação da PF sugere que Tanure poderia ser um “sócio oculto” do banco, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas. A negociação de CCBs fraudulentos é uma das suspeitas que recaem sobre o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, com os títulos possivelmente servindo para movimentar recursos de forma circular.

Histórico da Ligga Telecom e Negociações de Venda

A Ligga Telecom, anteriormente Copel Telecom, foi adquirida por Tanure em 2020 por R$ 2,4 bilhões. Em fevereiro de 2022, a empresa abriu seu capital. Em 2021, a Ligga emitiu debêntures no valor de R$ 300 milhões, indicando uma necessidade de captação de recursos. No ano seguinte, ao alocar mais de R$ 350 milhões em instrumentos ilíquidos, a empresa passou a atuar como credora.

Recentemente, surgiram rumores sobre a possível venda da Ligga, com negociações avançadas com a operadora Brasil Tecpar. A empresa também anunciou a alienação de sua autorização de uso do espectro 5G no Paraná, alegando alinhamento com sua estratégia de alocação de capital.

Posicionamento de Tanure e da Ligga

A defesa de Nelson Tanure afirmou que o empresário jamais enfrentou processos criminais e nega qualquer relação societária com o Banco Master, afirmando ser apenas um cliente. A Ligga Telecom, em nota, declarou que cumpre integralmente suas obrigações regulatórias, acompanha seus indicadores financeiros e mantém diálogo com agências de rating, assegurando que não possui, atualmente, aplicações financeiras no Banco Master, direta ou indiretamente.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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