R$ 90 bilhões em dividendos e JCP: quase 60 empresas correm para pagar proventos antes da taxação de dividendos em 2026
Empresas aceleram pagamentos para se antecipar à nova tributação
Em um movimento estratégico para beneficiar seus acionistas antes da entrada em vigor da nova tributação sobre dividendos, prevista para 2026, quase 60 empresas brasileiras estão antecipando o pagamento de dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP). O montante totaliza aproximadamente R$ 90 bilhões em proventos, com mais de R$ 26 bilhões ainda aguardando pagamento ou crédito.
Estratégias para driblar a tributação
A nova legislação, que visa taxar dividendos como parte da renda tributável para indivíduos com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, tem levado as empresas a adotarem diversas estratégias. Entre elas, destacam-se a aprovação da distribuição com base em balanços fechados em 31 de dezembro, a definição de um teto global de lucros isentos a serem pagos até 2028 e a implementação de cronogramas plurianuais de distribuição, condicionados à saúde financeira da companhia. A advogada Milena Xavier Linhares de Andrade, diretora jurídica da Hemmer Advocacia, ressalta a importância de que a decisão de distribuir os lucros de 2025 seja formalmente tomada ainda neste exercício.
Proventos pendentes e empresas que já pagaram
A aprovação da distribuição garante o direito ao provento, mesmo que o pagamento ocorra no ano seguinte. Algumas empresas já divulgaram proventos que serão depositados futuramente aos acionistas, totalizando R$ 26,33 bilhões em pagamentos pendentes. Fontes indicam que empresas como a CSN Mineração (CMIN3) já distribuíram mais de R$ 423 milhões em dividendos e JCP, e que um total de 135 empresas anteciparam proventos no final de 2025.
O cenário da tributação de dividendos e as adaptações do mercado
A decisão do ministro Kassio Nunes Marques do STF, que prorrogou até 31 de janeiro de 2026 o prazo para deliberação de dividendos de 2025 sem imposto, ainda depende de confirmação pelo plenário. Essa janela de oportunidade tem impulsionado as empresas a agirem rapidamente. As estratégias adotadas, como a distribuição de ações resgatáveis ou bonificações, estão sendo cuidadosamente analisadas para garantir sua legalidade e segurança jurídica diante do novo cenário regulatório. O mercado financeiro acompanha de perto essas movimentações, buscando entender o impacto das novas regras e as melhores formas de investir em 2026, com foco em renda passiva e estratégias alternativas.



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