Rombo de R$ 1,6 Bilhão: 8 Fundos Previdenciários Estaduais e Municipais Sofrem Perdas com Investimentos no Banco Master
Déficits Milionários e Investigação da PF
Oito fundos previdenciários estaduais e municipais registraram um rombo de R$ 1,6 bilhão ao final de 2025, após investimentos realizados no Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Um levantamento divulgado pela GloboNews, com base em dados do Ministério da Previdência Social, revela que 18 fundos públicos destinaram um total de R$ 1,86 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco. Este tipo de investimento, que não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é considerado de alto risco e desaconselhado para fundos previdenciários.
Amprev Lidera Déficits e PF Investiga Esquema
Entre os fundos mais afetados está a Amprev, previdência do Amapá, com um déficit de R$ 394,9 milhões, oriundo de contribuições de servidores militares. A situação se agravou com uma operação da Polícia Federal que, na semana passada, cumpriu mandados de busca e apreensão contra o diretor-presidente da Amprev e outros membros do comitê de investimentos. A ação é um desdobramento da operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema fraudulento envolvendo o Banco Master.
Impacto em Fundos Municipais e Estaduais
O prejuízo não se restringe apenas ao Amapá. Fundos municipais como o IPREM de Santa Rita do Oeste (SP) acumulam um déficit de R$ 988,4 mil, e o PreviPaulista (PE) registra R$ 222,7 mil negativos. Outras entidades municipais como Araraprev (Araras) com R$ 72,4 milhões, o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande com R$ 124,8 milhões e o Maceió Previdência com R$ 299,4 milhões também figuram na lista. No âmbito estadual, o Rioprevidência (RJ) apresenta déficits de R$ 16,7 milhões (civis) e R$ 8,7 milhões (militares), enquanto o Amazonprev (AM) aponta um resultado negativo de R$ 751,1 milhões em contribuições de servidores civis.
Responsabilidade dos Entes Federativos e Ações Judiciais
Com a liquidação do Banco Master, os valores investidos pelos fundos passaram a compor a massa de credores, sem garantia de recuperação integral. O risco agora recai diretamente sobre o equilíbrio atuarial dos fundos e, a longo prazo, sobre a capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões. Em resposta, o Ministério da Previdência decidiu que estados e municípios serão os responsáveis por cobrir eventuais prejuízos. Diversos fundos, como o Rioprevidência, Amazonprev e Amprev, já acionaram o Judiciário para reter recursos e minimizar os impactos, buscando a recuperação dos valores e a proteção dos benefícios dos servidores.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br



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