Super Bowl: Startup de brasileira Kalshi desafia gigantes das apostas com novo modelo
Ascensão da Kalshi e o Desafio aos Apostadores Tradicionais
O Super Bowl, tradicionalmente o ápice para as empresas de apostas esportivas, este ano apresenta um cenário de incerteza. A Flutter Entertainment, dona do popular aplicativo FanDuel, acumula oito semanas de queda em suas ações, o período mais longo em 23 anos. Sua principal concorrente, a DraftKings, negocia perto dos menores patamares desde 2023 e já perdeu mais de 60% de seu valor histórico. Embora o apelo de celebridades do evento deste ano seja menor que o anterior, a principal preocupação que paira sobre a indústria é a ascensão meteórica dos mercados de previsão, como a Kalshi.
Fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, a Kalshi emergiu como uma força disruptiva. A plataforma americana, que opera como uma bolsa financeira regulada, oferece uma nova forma de apostar, contornando as restrições estaduais que limitam a expansão dos aplicativos de apostas tradicionais. No final do ano passado, a Kalshi atingiu uma avaliação de mercado de US$ 11 bilhões após levantar US$ 1 bilhão em uma nova rodada de investimentos. Estima-se que Luana Lopes Lara possua entre 10% e 20% da empresa.
Mercados de Previsão: O Novo Fenômeno das Apostas
Analistas como Jordan Bender, do Citizens, preveem volumes recordes de negociação nos mercados de previsão durante o Super Bowl, ao mesmo tempo em que o volume apostado nas casas esportivas tradicionais, conhecido como “handle”, deve cair 2% em relação ao ano passado. Essa mudança é atribuída diretamente à crescente popularidade de plataformas como a Kalshi, que estão “abocanhando uma fatia” do mercado.
Essa reviravolta contrasta com o crescimento acelerado das apostas esportivas nos EUA, impulsionado pela decisão da Suprema Corte em 2018 que permitiu a legalização estadual. O volume apostado no Super Bowl vinha crescendo por oito anos consecutivos.
Kalshi: Da Cultura Pop aos Esportes
Até o início do ano passado, a Kalshi focava em contratos financeiros de nicho ligados a eventos de cultura pop e eleições, sob a supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). No entanto, após um experimento bem-sucedido com apostas no Super Bowl em 2025, a plataforma viu os esportes responderem por mais de 90% de seu volume de negociação, com a CFTC indicando que tais contratos estavam dentro de suas competências.
Embora alguns analistas ainda prevejam um recorde de arrecadação para as casas de apostas tradicionais no Super Bowl deste ano, com projeções de apostas totais (excluindo mercados de previsão) em US$ 1,78 bilhão, estima-se que os mercados de previsão atraiam US$ 630 milhões, respondendo por 80% do crescimento anual na atividade de apostas do evento.
Ameaça Invisível e a Adaptação do Mercado
Apesar da força dos mercados de previsão, algumas empresas como a BetMGM, que possui seu próprio aplicativo de apostas esportivas, relatam ter atraído apostas recordes no quarto trimestre de 2024 e não identificam um impacto direto atribuível aos novos entrantes. O CEO Adam Greenblatt sugere que as plataformas de previsão capturam principalmente apostadores mais habilidosos, que tendem a ser menos lucrativos para as empresas tradicionais.
No entanto, os aplicativos tradicionais esbarram nos limites de sua expansão. Neste ano, apenas o Missouri se tornou um novo estado a permitir apostas legais no Super Bowl. Enquanto isso, a Kalshi continua a atrair usuários com uma oferta mais ampla de eventos, desde a duração do show do intervalo até a presença de celebridades. Em janeiro, o aplicativo da Kalshi registrou quatro vezes mais downloads que FanDuel ou DraftKings, segundo a empresa de dados Apptopia.
Em resposta, DraftKings e FanDuel lançaram seus próprios aplicativos de mercados de previsão, mas com downloads significativamente menores que a Kalshi. A DraftKings também anunciou uma parceria com a bolsa de mercados de previsão Crypto.com. Reguladores estaduais tentam barrar a Kalshi e seus pares judicialmente, mas o novo presidente da CFTC sinalizou que permitirá o avanço dos contratos esportivos, mantendo a supervisão federal sobre o território.
Fonte: investnews.com.br



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