Teto de Preços da Aneel Frustra Estratégia da Eneva e Levanta Dúvidas Sobre Leilões de Energia
Pressão Regulatórias Afetam Modelo de Negócios da Eneva
A estratégia da Eneva para participar de leilões de energia enfrenta desafios significativos devido ao teto de preços estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A avaliação do Citi indica que o impacto vai além dos limites de preço definidos nos certames, citando também recentes alterações nas regras de transporte de gás natural como um fator adicional de pressão sobre o modelo de negócios da companhia.
Recentemente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) implementou um desconto de 15% na tarifa de transporte para a capacidade de saída, aplicável a contratos firmes com prazos de dez anos ou mais. Essa medida, somada a uma exigência anterior que obriga usinas elegíveis a contratarem capacidade firme de gás equivalente a, no mínimo, 70% da capacidade da usina, sinaliza um esforço governamental para reduzir os custos da energia elétrica.
Dificuldades para Projetos Termelétricos e Risco de Revisão de Preços
Para o Citi, a redução de preços de energia pelo governo tende a dificultar a viabilização econômica de projetos termelétricos, especialmente os de maior porte. O banco de investimentos alerta para o risco de uma revisão para baixo do preço-alvo da Eneva, sugerindo que, com os patamares de preço atuais, pode ser desafiador para o governo recontratar nova capacidade nos volumes planejados.
Contexto do Leilão e Reação do Mercado
O objetivo do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) é reforçar a segurança do sistema elétrico brasileiro, especialmente diante do crescente protagonismo de fontes renováveis intermitentes na matriz energética. O governo planeja contratar mais de 2 GW de capacidade em leilões agendados para março, destinados a usinas a gás, carvão e hidrelétricas (em 18 de março), e para térmicas a diesel e óleo combustível (em 20 de março).
Além da Eneva, o leilão atrai o interesse de outros grandes geradores termelétricos, como a Âmbar (do grupo J&F) e a Petrobras, além de empresas do setor hidrelétrico buscando expansões de usinas existentes. A reação do mercado foi imediata: na tarde desta terça-feira, as ações da Eneva operavam em forte queda, com cerca de 15% de desvalorização, refletindo a percepção negativa dos investidores sobre os parâmetros do certame. Em seu ponto mais baixo, os papéis da companhia chegaram a cair 19%.
Fonte: investnews.com.br



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