Trump ameaça cortar todo o comércio com a Espanha após recusa em usar bases militares para atacar o Irã

Tensões comerciais e diplomáticas aumentam entre EUA e Espanha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (3) que pretende “cortar todo o comércio com a Espanha” caso o país mantenha sua posição de negar o uso de suas bases militares para apoiar uma campanha de bombardeio contra o Irã. A declaração, feita durante uma reunião na Casa Branca, gerou uma forte reação de Madri, que exige o respeito aos acordos comerciais internacionais.

Trump instruiu o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a iniciar o corte de negócios com a Espanha, embora não tenha detalhado como essa ameaça seria implementada, especialmente considerando a complexa relação comercial dos EUA com a União Europeia como um todo. O presidente americano chegou a sugerir a possibilidade de impor um embargo total a bens espanhóis, sem confirmar se essa seria a ação definitiva.

Espanha defende soberania e direito internacional

Em resposta às ameaças de Trump, um porta-voz do governo espanhol afirmou que qualquer revisão da relação comercial com a Espanha deve respeitar a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os Estados Unidos. O funcionário assegurou que a Espanha possui recursos para mitigar os impactos de uma possível proibição comercial e apoiar os setores afetados.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve se pronunciar oficialmente sobre o assunto nesta quarta-feira (4). A postura da Espanha em relação ao conflito com o Irã foi clara: Sánchez classificou a operação conjunta dos EUA e Israel como uma “intervenção militar injustificada e perigosa fora do direito internacional” no último domingo (1).

Críticas à liderança espanhola e divergências na OTAN

Trump também criticou a liderança espanhola, afirmando que o país “não tem uma liderança grande”, embora tenha elogiado o povo espanhol. Essa tensão se soma a outras divergências, como a frustração de Trump com a recusa de Madri em aumentar os gastos com defesa para atingir a meta de 5% do PIB estabelecida pela OTAN. Em outubro passado, o presidente americano já havia sugerido uma “punição comercial” para a Espanha por essa discordância.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, presente na reunião da Casa Branca, interveio para apoiar o apelo de Trump aos aliados da OTAN para que aumentem seus gastos com defesa, destacando a Espanha como a única nação relutante em aceitar a meta. Trump também expressou insatisfação com o Reino Unido por bloquear o uso da base militar em Diego Garcia para ataques ao Irã, embora não tenha feito ameaças comerciais semelhantes.

Impacto no mercado e incertezas futuras

A declaração de Trump ocorreu após o fechamento da Bolsa de Madri, onde o ETF iShares MSCI Espanha registrou queda. Especialistas indicam que a ameaça pode ter um impacto mais significativo no sentimento do mercado do que em dados macroeconômicos, mas alertam que, se concretizada, seria prejudicial para as exportações espanholas, como vinho e azeite, para os EUA. A incerteza sobre a capacidade legal de Trump impor embargos e a possibilidade de novas tarifas globais adicionam complexidade ao cenário.

Fonte: investnews.com.br

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