Vice-Presidente do Conselho do GPA Renuncia Apenas Dois Meses Após Eleição em Meio a Instabilidade na Governança

Edison Ticle deixa o cargo após eleição em outubro

O vice-presidente do conselho de administração do GPA, Edison Ticle, apresentou sua renúncia ao cargo na última terça-feira (23). A decisão ocorre pouco mais de dois meses após sua eleição para a posição, com um mandato previsto até 2027. Ticle, que foi o conselheiro mais votado na renovação do conselho em outubro, contava com o apoio do investidor Rafael Ferri e da família Coelho Diniz, atual acionista majoritária do GPA.

Ano de instabilidade e embates internos

A renúncia de Ticle adiciona mais um capítulo a um ano de considerável instabilidade na governança do GPA. A companhia já havia eleito dois conselhos diferentes em 2025, um em maio e outro em outubro, refletindo as tensões internas. Desde sua posse, a atuação de Ticle esteve no centro de sucessivos embates. Na primeira reunião do novo conselho, sua eleição para a vice-presidência gerou desconforto no então CEO Marcelo Pimentel, que chegou a cogitar sua renúncia antes de deixar o cargo efetivamente duas semanas depois.

Atritos e deterioração de relações no conselho

Fontes indicam que Ticle também teve atritos com outros membros do conselho, incluindo Tufi Daher Filho, ex-coordenador do comitê fiscal, que renunciou no início deste mês. Embora a saída de Ticle não tenha relação direta com a de Daher Filho, pessoas próximas ao conselho relatam uma deterioração na relação entre Ticle e o presidente do colegiado, André Coelho Diniz, nas últimas semanas. A avaliação geral é que o conselheiro se distanciou do restante do board, e sua renúncia é vista como um movimento para pacificar os ânimos internos.

Vagas abertas e indicações futuras

Com a saída de Edison Ticle, o conselho de administração do GPA agora conta com duas vagas abertas. A expectativa é que o grupo francês Casino, que detém 22,5% do capital do GPA e indicou Marcelo Pimentel, posicione um substituto para a cadeira deixada pelo ex-CEO. A vaga de Ticle, por sua vez, deve se tornar um ponto de articulação para os acionistas minoritários. A Bonsucex, holding do investidor Silvio Tini com mais de 5% das ações, é vista como uma potencial candidata a ocupar uma das novas posições.

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