Latam reduz voos em junho devido à crise de combustível e reavalia projeções para o ano

Cenário de Turbulência nos Custos

A Latam, apesar de ter registrado um lucro líquido histórico de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2024, um aumento de 62% em relação ao ano anterior, já sente os efeitos da escalada nos preços do combustível de aviação (QAV). A companhia revisou para baixo suas projeções de Ebitda ajustado para 2026, antecipando um cenário de maior pressão nos custos operacionais.

A premissa inicial de custo do barril de QAV em US$ 90 foi substituída por projeções de US$ 170 para o segundo e terceiro trimestres, com expectativa de queda para US$ 150 no quarto trimestre. Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, destacou que, embora o trimestre tenha sido historicamente positivo, a companhia enfrenta um período de turbulência devido ao combustível, o que impactará o custo e a premissa de crescimento para o ano.

Impacto Financeiro e Ajustes na Malha Aérea

O impacto da alta do combustível no primeiro trimestre foi de US$ 40 milhões, mas a pressão deve se tornar mais evidente a partir do segundo trimestre. Segundo Ricardo Bottas, CFO da Latam, o custo adicional com combustível pode atingir US$ 700 milhões no segundo trimestre, caso o barril se mantenha a US$ 170. Para mitigar esses efeitos, a Latam tem implementado medidas como otimização de receita, ajustes na capacidade, controle de custos e gestão de capital de giro.

Na prática, esses ajustes já se refletem na operação. Em junho, a companhia já opera com cerca de 3% menos voos, resultado de cancelamentos estratégicos devido ao aumento do preço do QAV. A Latam afirma não haver risco de desabastecimento de combustível, mas monitora a situação de perto com seus parceiros. A companhia deixou de divulgar um guidance de oferta (ASK) separado para operações no Brasil e internacionais, tendo revisado a projeção de crescimento anual da oferta de voos de 8% a 9%.

Crítica à Proposta da Petrobras e Busca por Resiliência

A Latam se posicionou contrária à proposta da Petrobras de oferecer financiamento para a compra de combustível, argumentando que tal modelo seria mais caro para as companhias aéreas. Cadier ressaltou que o problema atual é de custo, não de financiamento, uma vez que o preço do QAV pago pela Latam dobrou desde fevereiro, atingindo patamares inéditos. Com um consumo mensal superior a 3 milhões de barris, qualquer variação no preço do combustível afeta diretamente os custos e o planejamento da empresa.

A estratégia da companhia é tornar seu modelo de negócio mais resiliente a choques de custo, buscando ampliar receitas em categorias premium e reduzir a dependência exclusiva do volume de passageiros para manter a rentabilidade. A chegada das aeronaves E2 da Embraer, prevista para a segunda quinzena de junho, também contribuirá para calibrar a malha aérea, permitindo a exploração de novos mercados e o fortalecimento de hubs estratégicos.

Novas Aeronaves e Desafios Regulatórios

As aeronaves E2, da Embraer, que começarão a ser comunicadas sobre seus destinos a partir da segunda quinzena de junho, são vistas como um complemento à estratégia de rede da Latam. Elas permitirão atender mercados onde a companhia ainda não opera, alimentar hubs como Guarulhos e Brasília, e otimizar rotas já existentes com aeronaves de menor porte. A empresa não considera essa introdução uma mudança radical, mas sim uma estratégia racional para ajustar rentabilidade e expandir a atuação.

Além da pressão do combustível, a Latam também expressou preocupação com o debate sobre o fim da escala 6×1 para tripulações. Cadier alertou que, caso o projeto seja aprovado como está, o Brasil poderá perder voos internacionais devido às restrições na jornada de trabalho. Este ponto evidencia os riscos regulatórios e trabalhistas que a companhia considera em seu planejamento de longo prazo, especialmente em um setor de margens apertadas e altos custos fixos.

Fonte: investnews.com.br

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