Governo descarta compensação a empresas pelo fim da escala 6×1 e jornada reduzida

Sem ajuda do governo: fim da escala 6×1 não terá compensação para empresas

O governo federal não pretende oferecer qualquer tipo de compensação financeira ou incentivos fiscais às empresas caso avance a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. A declaração foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que enfatizou a ausência de previsão para concessão de desonerações ao empresariado.

Empresários alertam para impacto econômico sem apoio governamental

A afirmação do ministro vai de encontro aos pedidos de setores empresariais, que têm manifestado preocupação com os impactos econômicos da medida. Estudos de entidades como o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre) apontam para a possibilidade de perda de centenas de milhares de empregos formais e queda no Produto Interno Bruto (PIB) caso a redução da jornada ocorra sem um planejamento adequado de custos e produtividade. Uma análise sugere que a redução para 36 horas semanais poderia impactar a economia em até 6,2%, demandando tempo para absorção dos custos devido à baixa produtividade média anual.

Marinho defende benefícios indiretos e descarta adiamento

Apesar das projeções pessimistas, Marinho defendeu que a redução da jornada pode gerar benefícios indiretos para as empresas, como o aumento da produtividade e a diminuição de faltas, doenças e acidentes de trabalho, decorrentes de melhores condições laborais. O ministro também não vê impedimento em discutir o tema em ano eleitoral, contrariando críticas de que a pauta seria populista. “Há uma necessidade, há uma reclamação, há um clamor do povo trabalhador por redução. Para que vai esperar para o ano que vem se pode fazer esse ano? Quem quer votar contra que vote contra”, argumentou.

Proposta prevê 40 horas semanais com negociação coletiva

A proposta defendida pelo governo estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, com duas folgas. O texto abre espaço para negociação coletiva sobre a organização dos turnos e prevê que regras específicas para setores de funcionamento contínuo, como os que operam 24 horas, possam ser ajustadas por meio de acordos entre empresas e trabalhadores. O ministro também indicou que a transição para jornadas menores, como as 36 horas, pode ser projetada para o futuro, mas que o foco inicial é nas 40 horas.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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