GPA e Raízen lideram onda de reestruturações: especialista prevê efeito cascata em grandes empresas brasileiras

Especialista aponta para um cenário de reestruturação financeira no Brasil

Os recentes pedidos de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e da Raízen podem ser o prenúncio de uma série de reestruturações em grandes empresas brasileiras. A avaliação é de Max Mustrangi, especialista em reestruturação de empresas, que sugere que companhias como Braskem, Oncoclínicas e Companhia Siderúrgica Nacional podem seguir o mesmo caminho.

GPA e Raízen buscam alívio financeiro em meio a juros altos

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve, nesta quarta-feira (11), o aval da Justiça para executar seu plano de recuperação extrajudicial. Com dívidas estimadas em R$ 4,5 bilhões, a empresa busca reverter os impactos da taxa de juros brasileira, atualmente em 15% ao ano. Por outro lado, a Raízen entrou para a história com o maior caso de recuperação extrajudicial do país, com obrigações que chegam a R$ 65,1 bilhões, conforme dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Judicial (Obre).

Desafios na negociação com credores

Max Mustrangi destaca que, enquanto o pedido do GPA abrange 80% de suas obrigações, o da Raízen cobre apenas metade de sua dívida. Ele ressalta a complexidade da negociação para a Raízen, que, além dos bancos, necessita do acordo de debenturistas, bondholders e detentores de títulos de CRAs, muitos dos quais já registraram perdas significativas com a companhia.

Outras gigantes sob observação

A Braskem, por exemplo, viu suas ações caírem 6,97% em meio a boatos de reestruturação, apesar de ter recebido o aval do Cade para a transferência de controle de sua acionista Novonor para o fundo IG4. A Oncoclínicas, com dívidas estimadas em R$ 4,8 bilhões, enfrenta uma crise de imagem ligada a investimentos em CDBs do Banco Master e negocia a prorrogação de prazos com credores. Já a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) lida com uma dívida líquida próxima a R$ 40 bilhões, em parte impulsionada pela alta do dólar durante a pandemia, com suas ações em forte desvalorização. A reportagem buscou contato com Braskem e CSN, que seguem com espaço aberto para manifestação.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br

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