Honda: A Crise Automotiva que Começou Muito Antes da Virada para Elétricos

Perdas Consolidam Problemas Antigos

A Honda atravessa um período financeiro delicado em sua operação automotiva, registrando quatro trimestres consecutivos de prejuízo. Essa sequência negativa é a pior desde o impacto do terremoto e tsunami de Fukushima, ocorrido há 15 anos. Embora outras linhas de negócio, como a de motocicletas, continuem a apresentar alta lucratividade, as perdas no segmento de automóveis são um reflexo de problemas estruturais que antecedem a recente aposta em veículos elétricos. Analistas apontam que as perdas com os elétricos, embora significativas, apenas agravaram uma situação já fragilizada.

Oportunidade Híbrida Perdida

Pioneira na venda de veículos híbridos nos Estados Unidos com o modelo Insight, sete meses antes do Toyota Prius, a Honda hoje se encontra em desvantagem nesse segmento. Atualmente, oferece apenas quatro modelos híbridos, contrastando com os 29 da Toyota. Apesar de uma meta ambiciosa de dobrar as vendas de híbridos até o final da década, a empresa anunciou recentemente a redução na produção desses veículos nos EUA. Enquanto isso, Toyota e Ford capitalizam em seus portfólios híbridos, com modelos como o Camry, Sienna, Sequoia e a picape Maverick se destacando em vendas e representando uma parcela significativa do mercado.

Mudanças Estratégicas e Ruptura com a Tradição

O atual CEO da Honda, Toshihiro Mibe, tem buscado reinventar a empresa, com a meta de se tornar uma potência em motores elétricos até 2040, rompendo com a tradicional expertise em motores a combustão. Contudo, a meta inicial de 40% de vendas elétricas até 2030, posteriormente revista para 20%, parece cada vez mais distante. A montadora já havia demonstrado sinais de desaceleração na demanda por elétricos em sua parceria com a General Motors, e mesmo assim, dobrou a aposta em baterias elétricas ao adquirir a participação da LG Energy Solution em uma nova fábrica, enquanto concorrentes recuavam. Paralelamente, a empresa anunciou o retorno do desenvolvimento de veículos sob o controle da unidade de Pesquisa e Desenvolvimento, admitindo uma perda de foco em inovações no segmento.

Obsessão por Volume e Declínio Gradual

O declínio da operação automotiva da Honda tem raízes mais profundas, remontando a mais de uma década, quando a gestão priorizou o volume e a variedade de modelos em detrimento da qualidade do produto e da eficiência de capital. A busca por dobrar as vendas anuais em cinco anos levou à expansão de fábricas e à aceleração de lançamentos, resultando em recalls e problemas de produção. Embora a estratégia de volume tenha sido abandonada, a Honda não conseguiu recuperar sua posição de mercado, enquanto rivais como Hyundai e BYD ganhavam espaço. A queda nas vendas globais, que atingiram o pico em 2019, e a retração contínua no mercado chinês, evidenciam a fragilidade da empresa em lidar com desafios como tarifas e excesso de oferta. Novas mudanças na estratégia de elétricos e um plano de negócios revisado devem ser detalhados em maio.

Fonte: investnews.com.br

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