Iberia Aumenta Voos para o Brasil e Prevê Crescimento de 14% em 2026, Olhando para Madri como “Nova Miami”

Brasil Torna-se Prioridade para Iberia com Expansão de Rotas e Assentos

A Iberia está intensificando sua presença no Brasil, anunciando um aumento significativo em suas operações. A partir de maio, as rotas para Fortaleza e Recife passarão de três para quatro frequências semanais. Para o ano de 2026, a companhia aérea espanhola planeja ofertar mais de 680 mil assentos ao país, o que representa um crescimento de 14% em comparação com o ano anterior. Marina Vela, Head de Vendas Corporativas da Iberia, destacou que o Brasil é um mercado “absolutamente prioritário” para a empresa.

As novas rotas para os destinos nordestinos são operadas com o Airbus A321XLR, aeronave de longo alcance que permite à Iberia otimizar custos em voos transatlânticos. Com essas expansões, o Brasil se consolida como o único país da América Latina onde a Iberia atende quatro cidades, somando-se às já existentes operações para São Paulo e Rio de Janeiro.

Madri: O Hub Estratégico para a América Latina

A estratégia da Iberia no Brasil faz parte de um plano maior para transformar Madri no principal hub de conexão entre a Europa e a América Latina. O CEO da companhia, Marco Sansavini, comparou a capital espanhola à “nova Miami”, ressaltando não apenas o volume crescente de passageiros, mas também o perfil do viajante. A receita por assento em cabines executivas da Iberia proveniente de países latino-americanos já supera em 34% os níveis de 2019, com um crescimento de 7% no último ano no segmento business.

A região da América Latina e Caribe foi o destaque da IAG (holding que controla a Iberia) em 2025, com um avanço de capacidade de 3,3% e aumento na receita unitária. Para 2026, a holding planeja expandir a capacidade no Atlântico Sul entre 4,5% e 5%. O Brasil desempenha um papel crucial nesse plano, com cerca de 70% das reservas corporativas na rota São Paulo-Madri originadas na América, funcionando como ponto de conexão para viajantes de negócios de outros países latino-americanos.

Foco no Passageiro Corporativo e Oferta de Valor

Embora o turismo contribua significativamente para o tráfego aéreo, a Iberia direciona sua estratégia para o viajante de negócios. O setor de viagens corporativas no Brasil atingiu um faturamento recorde de R$ 147,8 bilhões em 2025, e o turismo de negócios registrou R$ 13,7 bilhões, segundo dados da Alagev e Abracorp, respectivamente. Passageiros com perfil corporativo podem representar até 30% do total de clientes da Iberia no país.

Em resposta às demandas do mercado pós-pandemia, a Iberia redesenhou sua proposta comercial para empresas, priorizando flexibilidade e experiência em detrimento de apenas preço. Novos contratos incluem benefícios como embarque prioritário, reserva de assento gratuita, maior margem para alterações de voo e proteção contra disrupções. A companhia lançou o Corporate Bundle, uma tarifa exclusiva para empresas com flexibilidade ampliada, visando oferecer uma experiência premium mesmo para passageiros em classe econômica.

Competição e Expansão Estratégica

A expansão da Iberia no Brasil ganha relevância no contexto competitivo, especialmente após a decisão da IAG de não participar da privatização da TAP. Em vez de integrar Lisboa ao seu sistema de hubs, a holding optou por fortalecer Madri. A agressiva expansão para o Brasil, um mercado estratégico para a TAP, sinaliza uma intensificação da concorrência entre as duas companhias.

A infraestrutura também favorece a Iberia. Enquanto o aeroporto de Barajas, em Madri, possui capacidade ociosa e planos de expansão, o aeroporto de Lisboa opera no limite, e o novo terminal de Alcochete ainda está em fase de desenvolvimento. Adicionalmente, a TAP enfrenta restrições regulatórias que limitam sua expansão de oferta até julho de 2026, período em que a Iberia está justamente a aumentar suas operações. Apesar dos riscos, como a volatilidade nos custos de combustível, a Iberia mantém seu plano de crescimento e estuda a possibilidade de novas rotas no Brasil no futuro.

Fonte: investnews.com.br

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