Ibovespa acima dos 220 mil pontos? Gestores com US$ 72 bi sob gestão veem otimismo, mas lucros e juros geram cautela
Otimismo Persistente no Ibovespa
Apesar das incertezas geopolíticas e do fantasma da estagflação global, gestores de fundos na América Latina mantêm uma visão majoritariamente otimista em relação ao Ibovespa. Segundo a pesquisa mensal do Bank of America (BofA), 73% dos entrevistados projetam o principal índice da bolsa brasileira acima dos 190 mil pontos até o final de 2024. Embora esse percentual tenha sofrido uma leve queda em relação ao mês anterior, a confiança permanece elevada, com quase metade dos gestores antecipando o Ibovespa superando a marca dos 200 mil pontos.
Novas Projeções e Cenários de Risco
A projeção de Ibovespa acima dos 200 mil pontos até o fim de 2026 é compartilhada por 43% dos entrevistados, uma redução em relação aos 53% do levantamento anterior. O que chama a atenção, contudo, é o surgimento de uma parcela de 10% dos gestores que agora vislumbram o índice ultrapassando os 220 mil pontos, um cenário que antes não era contemplado. Em contrapartida, as expectativas para os lucros das empresas brasileiras se deterioraram, refletindo o aumento das preocupações com choques inflacionários globais, impulsionados pela alta do petróleo e pela perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos. Apenas 13% dos gestores esperam revisões positivas para os lucros neste ano, uma queda significativa em relação aos 35% registrados na pesquisa passada.
Gatilhos e Desafios para a Bolsa Brasileira
Apesar do cenário de lucros mais desafiador, os gestores apontam dois possíveis gatilhos para a bolsa brasileira: o enfraquecimento do dólar frente ao real e um melhor desempenho dos mercados emergentes. A expectativa para o câmbio é de que o dólar termine o ano entre R$ 4,81 e R$ 5,10, uma projeção mais otimista que a anterior. No âmbito regional, o Brasil é visto superando o México nos próximos seis meses, com uma visão positiva para os ativos argentinos. Contudo, os riscos geopolíticos ganham força como um possível freio para os cortes na Selic, com 80% dos gestores acreditando que a taxa básica de juros pode ter seu ritmo de redução diminuído.
Alocações e Setores em Destaque
A pesquisa também revela uma mudança nas estratégias de alocação dos gestores. Há uma migração notável para setores ligados a commodities e empresas exportadoras. As utilities, no entanto, continuam a ser o segmento com maior alocação nas carteiras, enquanto o consumo discricionário permanece com a menor exposição. A falta de consenso sobre o nível da taxa Selic ao final do ano, pelo segundo mês consecutivo, adiciona um elemento de incerteza às decisões de investimento, enquanto o BofA projeta o indicador em 13,25% em dezembro, com cortes de 0,25 ponto percentual por reunião do Copom.
Fonte: www.seudinheiro.com



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