Por que conselheiros da Berkshire Hathaway ganham apenas US$ 3 mil por ano e não recebem bônus em ações?

Um Retorno aos Anos 1960 na Governança Corporativa

A Berkshire Hathaway, sob a liderança de Warren Buffett, mantém um sistema de governança corporativa que remete aos anos 1960, destacando-se como uma anomalia entre as grandes empresas americanas. Essa abordagem, refletida no relatório anual de 2026, indica que a filosofia de gestão de Buffett, que comanda a empresa desde 1965, continuará a guiar a companhia sob o novo CEO, Greg Abel.

Remuneração Exclusivamente em Dinheiro e Crítica a Jogos Financeiros

Uma das características mais marcantes da Berkshire Hathaway é a sua política de não conceder remuneração em ações a executivos ou funcionários, afirmando categoricamente que “nunca pretende” fazê-lo. Todos os membros da equipe recebem seus pagamentos em dinheiro. O próprio Warren Buffett manteve seu salário em US$ 100 mil em 2025, valor que recebe há décadas. Em contraste, o CEO Greg Abel e o chefe da divisão de seguros, Ajit Jain, receberam US$ 22 milhões cada, integralmente em dinheiro. Essa prática se distancia de setores como o de software, onde a remuneração em ações, frequentemente tratada como despesa contábil, é adicionada de volta ao lucro em cálculos de “lucro ajustado”, uma prática criticada por Buffett.

Conselheiros com Salários de Outra Época e Foco em Integridade

A remuneração dos conselheiros da Berkshire Hathaway também foge do padrão atual. Eles recebem US$ 900 por reunião presencial e US$ 300 por reunião virtual. A maioria dos conselheiros recebeu cerca de US$ 3 mil no ano passado, com os membros do comitê de auditoria recebendo um adicional trimestral, totalizando aproximadamente US$ 7 mil. Em comparação, conselheiros de empresas do S&P 500 ganham, em média, mais de US$ 250 mil anualmente. A Berkshire enfatiza que busca conselheiros com “altíssimo nível de integridade, visão de negócios, mentalidade de dono, interesse genuíno pela empresa e que tenham mantido um investimento significativo em ações da Berkshire por pelo menos três anos”. Essa exigência de investimento em ações parece ser seguida, com os 13 membros do conselho possuindo participações que variam de US$ 1,5 milhão a US$ 17 milhões em ações.

Prestígio, Risco e a Ausência de Consultores de Remuneração

Participar do conselho da Berkshire Hathaway é visto como um grande prestígio, descrito por conselheiros como uma “confiança pública” devido ao grande número de acionistas e ao esforço para preservar a cultura única da empresa. Diferentemente da maioria das grandes corporações, a Berkshire não oferece seguro D&O (diretores e executivos), o que significa que os conselheiros assumem riscos financeiros. A empresa também dispensa o uso de consultores de remuneração, prática que Warren Buffett e o falecido Charlie Munger criticavam por inflar os salários executivos em detrimento dos acionistas. A seleção de conselheiros não leva em conta a diversidade, focando unicamente em integridade, visão de negócios e investimento na empresa, uma postura que, em retrospecto, pode ter se alinhado a um ceticismo crescente em relação às políticas de DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA.

Fonte: investnews.com.br

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