Aegea divulga balanço de 2025 com dívida maior e corta R$ 5 bilhões em patrimônio após revisão contábil de 2024

Aegea revisa números de 2024 e divulga balanço de 2025 com dívida maior

Ajustes contábeis reduzem o patrimônio em R$ 5 bilhões e o lucro de 2024, enquanto resultados de 2025 indicam crescimento operacional, mas endividamento crescente.

Reapresentação de balanço de 2024 e impactos nos resultados

A Aegea divulgou neste sábado (11) seus resultados financeiros referentes a 2025, mas o anúncio veio acompanhado de uma reapresentação das demonstrações financeiras de 2024. A revisão, que gerou atrasos na divulgação e preocupação entre investidores e credores, foi motivada pela revisão de políticas contábeis e reavaliação de estimativas. A companhia assegura que os ajustes são de natureza estritamente contábil e não afetam a geração de caixa operacional, liquidez ou obrigações financeiras.

Apesar disso, os números de 2024 sofreram alterações significativas. O lucro líquido consolidado caiu de R$ 2,396 bilhões para R$ 1,803 bilhão, uma redução de R$ 593,3 milhões. O patrimônio líquido consolidado encolheu em cerca de R$ 5 bilhões, passando de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,39 bilhões. O ativo total consolidado também foi reduzido, de R$ 44,33 bilhões para R$ 39,54 bilhões.

Principais frentes de ajuste contábil

A Aegea concentrou a explicação da revisão em três frentes principais. A primeira envolve o reconhecimento da receita de serviços de água, com a adoção de um critério mais conservador para clientes com saldos vencidos há mais de seis meses ou com cadastro incompleto/desatualizado. Nesses casos, a receita só é reconhecida após o pagamento, aproximando a receita contábil da arrecadação efetiva. A concessionária Águas do Rio foi a mais impactada por esse ajuste.

A segunda frente refere-se à receita do ativo financeiro em Parcerias Público-Privadas (PPPs), com a revisão da metodologia de mensuração da margem de construção. Agora, a abordagem se baseia em fluxos de caixa esperados de receitas e custos da fase de construção, descontados a valor presente. A terceira frente foi o recálculo da provisão para perdas de crédito esperadas, utilizando uma matriz de rolagem baseada no histórico de inadimplência dos últimos 36 meses. Houve ainda ajustes no tratamento contábil da capitalização de juros associados ao pagamento de outorga, elevando a despesa financeira, especialmente na Águas do Rio.

Resultados de 2025: crescimento e desafios

Os resultados de 2025, mesmo com os ajustes passados, indicam uma companhia sob pressão. No conceito proforma do ecossistema (incluindo controladas e coligadas relevantes não totalmente consolidadas), a receita líquida cresceu 20,6% em relação a 2024, atingindo R$ 18,288 bilhões, e o EBITDA proforma avançou 23,5%, chegando a R$ 10,297 bilhões. Contudo, o lucro líquido proforma caiu 31%, para R$ 856 milhões.

A dívida líquida proforma subiu para R$ 47,044 bilhões, e a alavancagem (relação dívida líquida/EBITDA) avançou de 4,13 vezes para 4,51 vezes. No recorte societário, mais diretamente ligado às demonstrações financeiras, a receita líquida cresceu 28,1% (R$ 12,322 bilhões) e o EBITDA CVM 156 aumentou 29,2% (R$ 7,852 bilhões). Ainda assim, o lucro líquido caiu 29% (R$ 1,280 bilhão), e a dívida líquida saltou 68,2% para R$ 30,242 bilhões, com a alavancagem subindo de 2,96 vezes para 3,78 vezes EBITDA.

Águas do Rio sob pressão e Corsan como contraponto

Apesar de destacar o crescimento operacional, com 14,1 milhões de economias atendidas e aumento no volume faturado, a Águas do Rio continua sendo um ponto de atenção. A operação registrou receita líquida de R$ 5,829 bilhões em 2025 (alta de 10%), mas o EBITDA caiu 15% (R$ 1,706 bilhão) e a operação teve prejuízo líquido de R$ 584 milhões. A inadimplência UDM disparou para 12%, e a alavancagem aumentou para 8,5 vezes EBITDA. A própria companhia atribui o aumento de custos e despesas aos ajustes contábeis na provisão para perdas com inadimplência.

Em contrapartida, a Corsan apresentou resultados positivos, com EBITDA de R$ 3,682 bilhões (alta de 63%) e lucro líquido de R$ 2,441 bilhões (avanço de 76%). Parte desse ganho, contudo, foi impulsionada por um efeito não recorrente de R$ 591 milhões em crédito de PIS/Cofins.

KPMG aponta deficiências em controles internos

Embora o balanço de 2025 tenha sido aprovado pela KPMG sem ressalvas, o relatório da auditoria incluiu um parágrafo de ênfase sobre a reapresentação dos saldos anteriores e listou vários assuntos críticos de auditoria. Entre eles estão a alocação do valor justo da outorga e sua capitalização de juros, o reconhecimento de receita de água e esgoto, a receita de construção em PPPs, a provisão para perdas de crédito, a mensuração de instrumentos financeiros a valor justo e a combinação de negócios da Regenera Rio.

A KPMG identificou deficiências no desenho dos controles internos em diversas dessas áreas, o que levou a um aumento nos procedimentos de auditoria para obter evidências suficientes. Isso ocorreu em pontos como receita de água e esgoto, provisão para perdas de crédito, outorga e juros capitalizados, receita de construção em PPPs e instrumentos financeiros a valor justo. A divulgação de 2025, portanto, combina crescimento operacional com ajustes relevantes no passado e aumento do endividamento, mantendo a Águas do Rio como foco principal de atenção.

Fonte: investnews.com.br

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